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id da página: 8202 Rosenzweig – Estrela da Redenção – Transição Serafim Rose

Rosenzweig Transição

Franz Rosenzweig — ESTRELA DA REDENÇÃO – PARTE 1 – TRANSIÇÃO

Primeira parte: Os elementos ou o perpétuo pré-mundo

Transição
  • Deus mítico, mundo plástico, homem trágico — a fragmentação do Todo e a estranheza dos elementos isolados

    • A unidade do Todo se desfaz na descida ao Nada, em que o conhecimento arranca os elementos de seu movimento vivo e os transforma em bric-à-brac, incapazes de manter sua vitalidade
    • O estranhamento diante dos elementos retirados de sua órbita: são familiares apenas dentro da constelação de vida em que circulam, mas tornam-se irreconhecíveis quando reduzidos a meros componentes de uma construção calculada
    • O mistério dos elementos só pode ser revelado na curvatura da órbita, onde deixam de ser hipóteses e tornam-se realidade visível
    • A prova da realidade dos elementos dependerá de sua capacidade de construir uma órbita que manifeste o Todo
  • O SECRETO “SE”

    • Cada elemento — Deus, mundo e homem — traz inscrito um “secreto se”, que impede a fixação de um lugar seguro e inalterável
    • A existência de cada elemento se apresenta como vida própria: Deus como vida existente, o mundo como configuração inspirada, o homem como eu solitário
    • "Eis: Deus existe e é vida existente; eis: o mundo existe e é configuração inspirada; eis: o homem existe e é o eu solitário"
    • A questão das relações entre os três elementos gera um enxame de “se’s”, que impedem uma ordem clara ou uma conexão evidente
    • Cada elemento é um “Todo” isolado, fechado em si mesmo, vivendo na vitalidade interna de sua própria natureza, sem necessitar de qualquer existência exterior
    • Não apenas o homem, mas também Deus e o mundo, são configurações encerradas em si mesmas e animadas por seu próprio espírito
  • O PATENTE “TALVEZ”

    • O choque entre os três monismos gera uma oscilação de possibilidades sem ordem fixa, hierarquia ou relação assegurada
    • Alternância entre diferentes estruturas: Deus como criador e revelador, o mundo como matriz dos deuses, ou o homem como medida de todas as coisas
    • "Platão ... ensina a criação"
    • "Aristóteles ... e numerosas teogonias ... afirmam que os deuses são partes e prole do mundo eterno"
    • "Quem sabe se o homem — ele, a medida de todas as coisas — não é o verdadeiro criador?"
    • A submissão do homem ao destino e à terra, apesar de seu desejo de dominar, revela a incapacidade de ultrapassar seus limites
    • A pluralidade de possibilidades ("talvez, talvez") transforma a realidade em um redemoinho de contradições em que cada elemento ora ocupa o trono, ora é subordinado
    • O “talvez” reina também dentro de cada elemento, pois a pura existência abriga tanto unidade quanto multiplicidade, permanecendo apenas como possibilidade
    • A analogia matemática demonstra que, assim como um número só se define na equação que o relaciona a outros, também cada elemento só adquire ordem e posição na relação inequívoca com os demais
    • A crítica à factualidade como insuficiente para a crença, que exige certeza e ordem não fornecidas pela mera existência
  • O PREVALENTE “QUEM SABE”

    • A Antiguidade, embora possuidora da factualidade de Deus, homem e mundo, fracassa em trazer à luz relações claras e inequívocas
    • Indeterminações: um Deus ou muitos deuses? um mundo ou muitos mundos? uma alma ou múltiplas almas, reunidas em comunidades heroicas ou isoladas em destinos solitários?
    • O paganismo celebra o monismo perfeito de cada elemento em sua factualidade, mas multiplica universos: politeísmo, policosmismo e poliantropismo
    • A fragmentação factual dissolve-se nas brumas da possibilidade, celebrando um “Sabbath das Bruxas” sobre o “Reino das Mães”
  • PROSPECTO: O DIA CÓSMICO DO SENHOR

    • MOVIMENTO

      • A necessidade de trazer ordem, clareza e realidade à mistura caótica do Possível pela articulação dos elementos em inter-relacionamento livre
      • O rio único do tempo cósmico reúne os elementos dispersos, do amanhecer ao entardecer, no único “Dia Cósmico do Senhor”
      • O movimento deve nascer dos próprios elementos, não de uma corrente externa, para confirmar sua factualidade no quadro da realidade móvel
    • TRANSFORMAÇÃO

      • A exigência paradoxal de que os resultados tornem-se origens, dirigindo-se para fora após serem encontrados na cegueira de sua factualidade
      • Os elementos nascem do “Nada do conhecimento”, onde as forças convergentes (poder em Deus, categoria no mundo, vontade no homem) são potências ocultas anteriores à manifestação
      • A conversão do resultado em começo: tornar-se manifesto é o inverso de tornar-se; o “sim” convergente irradia como “não” divergente
    • ORDEM

      • A transformação do puramente factual no início do movimento real, de anéis acabados a elos de uma cadeia
      • A busca por indícios de ordem e hierarquia nos próprios elementos, ainda que introvertidos, a partir de suas formas históricas: o Deus mítico, o mundo plástico, o homem trágico
      • A aparente contradição entre modernidade e paganismo resolve-se na análise das ciências elementares (metafísica, metalógica, metaética), que tratam dos elementos
    • CONSEQUÊNCIA

      • A distinção entre teogonia, psicogonia e cosmogonia como passado, presente e futuro da Antiguidade
      • A teogonia como passado herdado; a psicogonia como presente vivido; a cosmogonia como futuro legado
      • Implicação temporal: Deus “foi” desde o início, o homem “tornou-se”, o mundo “torna-se” — sequência dos nascimentos emergindo da profundidade
      • O segredo ainda não manifesto desse nascimento eterno: a criação como mistério em processo de milagre pela revelação
      • "Estamos na transição — daquilo que é mistério para aquilo que se torna milagre"